domingo, 22 de novembro de 2015

Moça do brinco dourado - parte 2 - Carla Pepe


Moça do brinco dourado - Parte 2 
By Carla Pepe

Ele a levou até seu carro, a respiração acelerada pela moça que o acompanhava. Ela continuava a ser uma incógnita para ele. Ela o atraía, mas ele não queria envolvimento, trabalho e sexo não eram coisas que se misturavam. Também não iria tomar qualquer iniciativa pois precisava do dinheiro e um passo em falso colocaria todo contrato a perder. O melhor a fazer era dar carona a sócia, garantir sua chegada em casa e seguir com suas fantasias. Logo, logo arranjava uma companhia e tudo isso passaria.

Glorinha sente o olhar profundo do consultor sobre ela, por dentro treme, o estomago embrulha, no seu íntimo gostaria que ele tomasse a iniciativa e lhe beijasse profundamente e demoradamente. Ele era tão sério naqueles óculos,  possivelmente aquela seriedade fosse coisa de que mexe com alta tecnologia. Pensando bem, não sabia o que faria se ele lhe beijasse. Afinal, era contra misturar as coisas: trabalho e sexo. Que bom que alguém naquele carro era sensato e não era ela.

O caminho para sua casa nunca lhe parecera tão longo, mesmo a noite e sem transito algum. Ela tinha dúvidas de como fazer quando chegassem a sua casa, deveria convida-lo para um xícara de café pela carona. Deveria dar-lhe um beijo no rosto ou bastava um aperto de mão. Eram tantas as dúvidas que Glorinha estava quase pulando do carro em movimento para não ter que responder aos questionamentos de seu cérebro. Enfim, se aproximaram de seu apartamento e ela agradeceu com um aperto de mãos, perguntou se ele gostaria de subir para um café antes de retornar para sua casa. A oferta gentil era apenas uma forma de ser educada pois não sabia a distancia para a casa dele.

Jayme vê o nervosismo da moça e entende como medo de estar sozinha com um homem, afinal ela parecia uma mulher bastante reservada. Ele resolve aceitar o convite, uma  vez que morava bem distante da casa dela e um café cairia bem para voltar para casa. Ajudaria a ver se estava tudo em ordem com a sócia do escritório. Eles sobem para o apartamento: é pequeno, mas aconchegante, com flores e cores nos lugares certos. Tinha uma certa desarrumação, algo que ele não esperava, visto que ela parecia metódica. A moça desaparece pela casa. Reaparece mais a vontade, descalça, sem a blusa de trabalho, com uma camiseta branca e cabelos soltos. Jayme prende a respiração e quase ergue a voz para recusar o café, mas ela some novamente.

Glorinha volta a sala agora com bandeja de café expresso. Senta de frente para Jayme e bebem o café em silêncio. Ambos sentem o clima constrangedor, mas não sabem o que fazer com isso. Ela resolve quebrar o clima perguntando sobre seu trabalho e ele fala um pouco sobre a consultoria em tecnologia da informação. Rapidamente, termina o café, entrega a xícara e se levanta. Nesta hora, o universo conspira a favor da lascívia, e seus corpos se tocam e é impossível resistir a boca daquela mulher tão próxima a ele.  Jayme pega o corpo de Glorinha nos seus braços e como não encontra freio a beija.

E agora? Glorinha resistirá a noite com Jayme? Ficarão apenas no beijo fugaz ?



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