segunda-feira, 2 de novembro de 2015

As Amigas - Parte 1 - Carla Pepe


As Amigas- Parte 1 
By Carla Pepe


Ele era sério demais, dificilmente sorria. Elas os observavam todos os dias no ônibus para o trabalho. Eram amigas há uns 5 anos: Juliana e Lorena. Trabalhavam no Centro de Cidade e morava em Campo Grande. Todos os dias enfrentavam horas de trânsito para o trabalho e vinham sempre num papo animado com os outros passageiros, com exceção dele. Ele nunca participava. Sentava sempre no mesmo lugar, colocava os fones de ouvido e lá vinha. Lorena era mais atirada, cabelos vermelhos, alta, bonitona, parecia mais nova, tudo no seu devido lugar. Juliana era baixinha, morena, cabelos cacheados, gordinha, discreta, usava sempre um batom nude, mais séria que a amiga. Eram bem diferentes as duas.

Everaldo já tinha percebido os olhares das meninas, mas nunca tivera muito tempo para diversão, sua vida sempre fora escola-trabalho-ajudar a família na birosca servindo os "pés de cana" da comunidade . Sua única diversão era encontrar os amigos de infância para uma cervejinha. Hoje em dia conseguira um trabalho de escritório às custas de muitas noites sem dormir na faculdade politécnica. A vida anda um pouco mais fácil, mas ele preferia poucas complicações. E aquelas duas pareciam encrenca certa. Ele não sabia dizer qual era a que o atraía: uma era bonita de cara, vermelha de fogo, deveria ser uma coisa na cama. A outra era séria, cara de inteligente, gordinha (ele preferia as mulheres mais magras), mas ela tinha um olhar, e os seios? coisa de louco, se colocasse um decotinho. Por isso, ele colocava era seus fones e sua música no play. Elas eram encrenca certa.

Lorena estava muito interessada no carinha do ônibus, claro que não era nada demais, nenhum grande amor, mas ele era interessante. E ela não tinha nada para fazer. O trajeto até o trabalho era longo e quebrar o cara sério era bem excitante. Ajudava a passar o tempo. Todo dia ela se arrumava pronta para o ataque. Tentava sentar perto, provocar, passar com a bunda rente a ele, encostar os peitos, mas até hoje não o pegara nem olhando para ela. E ela sabia o efeito que causava nos homens. Ela gostava de provocar, de sentir o poder em suas mãos e de dispensar depois. Mas a vida é assim mesmo. Uma hora ela acharia alguém para casar e ser feliz.

Do lado de Lorena, vinha Juliana, envolvida no seu audiobook. Não precisava ser muito inteligente para perceber o fascínio da amiga no carinha sério. Todo mundo já sabia que ela estava de olho. Elas se conheciam há tempos demais para saber que quanto mais complicado fosse maior seria a atração da amiga. Ela nem achava o rapaz tão bonito assim, mas ele tinha algo fascinante. Aquela seriedade toda, parecia esconder certa doçura. Mas ela preferia se concentrar na sua pós-graduação noturna. Afinal quem era ela para disputar algo com Lorena? Era gorda, baixa, seios grandes, quadris largos, bunda grande. Tudo nela abundava.

Aquela manhã despertou chuvosa, Juliana vinha atrasada. Ela odiava chuva, pois ela desastrada demais, sempre acabava molhada ou suja. Quando enfim entrou no ônibus, o sem-vergonha do motorista deu uma freada que ela acabou no colo do rapaz trabalhador-todo-serio-da-Lorena. Ela corada, não sabia o que fazer nem o que responder, a não ser pedir desculpas e sentar no único lugar vago, ao lado dele, e passar a viagem inteira constrangida.  Everaldo nem acredito quando a gordinha caiu no seu colo e sua mão acabou por roçar seus seios fartos. Ele ficou teso e sem saber o que fazer. Ainda bem que ela estava sozinha, porque com certeza sua amiga não deixaria passar aquela. E lá foi ele naquela tortura, sentindo o roçar da menina e o aroma das flores que vinha dela, pelas duas horas de viagem.

Juliana ficou ali sem saber como reagir aos olhares que achava estar vendo do rapaz. Talvez fosse uma certa censura, uma vez que ela deveria ter segurado melhor ao entrar na condução. Ao se levantar para descer do coletivo, ela resolve ter, como poucas vezes em sua vida, uma atitude intempestiva e pergunta: "você trabalha no Centro? Queria me desculpar melhor. Quer tomar um café?"  Ele, pego de surpresa, acaba por aceitar. Eles tomam um café no boteco próximo ao trabalho dela. Na hora de se despedirem, as mãos se tocam e sem que eles soubessem como, nem onde, nem porquê, acabam por se beijar. Se beijam com uma urgência, uma "querência", como dois amantes que passaram a noite juntos e teimam em não querer se despedir. Mas do mesmo jeito que se beijaram, se largaram e seguiram, sem saber o que fazer.

E segue Everaldo com corpo teso pela segunda vez na mesma manhã por uma mulher que aff...








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