quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A mulher do Sobrado - Final - Carla Pepe


A mulher do sobrado - Final
By Carla Pepe

Lá estavam os dois duelando em pensamentos pelo que parecia ser a vontade de seus corpos em estarem juntos. De um lado, Bia sem saber se deixava a ousadia tomar conta de si e de outro Ary, homem sério, trabalhador, mas cheio de desejo pela costureira, colorida do sobrado da esquina. Ela acha a caneta assina o recibo e agradece a entrega, abre a porta e se despede, virando de costas para ele. Ary resolve não perder a oportunidade, pega a mão da moça e a puxa para si e a beija com sofreguidão. As mãos dele percorrem o corpo dela: cabelo, nuca, costas, seios, ventre, sexo, pernas, coxas. Abrem o roupão e encontram o corpo nu.

Bia não acredita no que está acontecendo. Nem em seus sonhos mais ardentes, seu corpo correspondia de maneira mais primitiva a outro corpo. Eles tinham uma química explosiva. Ela o queria urgentemente. Suas mãos procuravam tirar sua camisa, abrir sua calça, eliminar as barreiras que separavam o corpo dela de estar com a quentura dele. O roupão fica ali no corredor da sala, as roupas dele espalhadas na entrada e os dois vão para cama aonde dão vazão a toda paixão que os consumia. As mãos dele percorrem a sinuosidade do corpo dela. Ele se demora nos seios, nas coxas, no ventre, no sexo molhado.

Ela investiga o corpo dele, seu membro, seu tórax, seus braços, suas costas. Sua boca esquadrinha o corpo de Ary enlouquecendo-o de prazer, sugando-o profundamente. Não houve limites, lugares, fantasias que eles não satisfizessem um ao outro. As curvas da moça o enlouqueceram, sua sensualidade e entrega ao prazer e vontade do outro o impressionaram. Nunca tinha vivido algo assim com outra mulher. Totalmente sem freios, sem amarras e uma energia vital. Era séria na vida e vadia na cama. E os dois vão naquele desenho, naquele corte e costura a noite toda de corpos ardentes. Homem-mulher atravessam a noite, sem pressa, na busca um do outro, lentamente como se quisessem eternizar toda aquela luxúria vivida de sexo e prazer.

O dia amanhece e os dois estão simplesmente apagados na cama da mulher do sobrado. Bia acorda nua nos braços do homem sério das flores e não sabe o que fazer. Desliza para fora da cama e toma uma ducha. Ary acorda com o barulho do chuveiro e vai até o banheiro e a encontra nua. Novamente seus corpos se deixam tomar pelo gozo e vão se satisfazendo. Após o banho juntos, decidem tomar um café e Bia sem saber que passos dar para dizer ao rapaz que talvez o que gostaria mesmo era de boas noites de sexo, talvez uns finais de tarde sem compromisso. Ary, por sua vez, queria dizer a mulher do sobrado, que não queria cordão, anel ou braço dado. Queria mesmo era umas noites e manhãs como aquelas e umas flores para alegrar o ambiente.

E assim sem muitas palavras se despediram, com beijos ardentes e promessas silenciosas. E olhares certos do que gostariam: deleitamento dos corpos um do outro sem compromisso, sem anel, sem fastio, sem cordão. E antes que ele se fosse, ela na última gota de ousadia, diz: "que tal aparecer amanhã, no final da tarde: terá café e bolo. E algo mais quem sabe!"







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