quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Maria das Mercês - Carla Pepe


Maria das Mercês
By Carla Pepe


Seu nome era Maria das Mercês, mulher de muita fé e oração, morava só numa casinha no final da rua. Participava dos terços, orações e novenas. Vivia de uma pensão deixada por seu pai que era militar da reserva e tinha morrido fazia tempo. Não precisava de muito para viver, por isso parte de seus rendimentos utilizava na prática da caridade. Há muito tinha abandonado as vaidades. Era uma mulher jovem ainda, com seus 40 e poucos anos, corpulenta, seios fartos, coxas grossas. De vez em quando, sentia uns calores subindo o ventre e aí rezava o rosário para afastar os pensamentos. Já fora noiva uma vez, mas o rapaz morrera de uma febre. Nos últimos anos, decidira que era melhor viver sozinha, se bem que sempre que via Toinho seu peito batia arfava, seu sexo aquecia, suas contas de terço passavam mais rápido.

Antonio, ou Toinho, como era conhecido, era pedreiro e vinha consertando o quintal da casa de Maria das Mercês. Ele a achava uma moça intrigante, boa cozinheira, casa arrumada, mas muito carola para seu gosto. Uma vez ele se pegou pensando em beijar a moça, mas logo foi interrompido pelo som do terço. Imagina se ele ia competir com Jesus. Também não queria compromisso, era separado e mulher só trazia aborrecimento. O melhor era ficar sozinho. No entanto, olhando de rabo de olho, a corpulenta mulher era bem atraente quando não estava rezando suas contas. Muitas vezes na cozinha, ela cantava uma canção de amor ou mesmo sorria vendo a novela, ele observava que nessas horas ela ficava linda.

Naquele final de tarde escaldante, Mercês convidou Toinho para beber uma limonada e, se quisesse, se servir do jantar. Afinal, tinha feito comida suficiente para os dois e mais um batalhão de gente. O rapaz gentilmente disse que não, mas a mulher foi insistente. Serviu a comida na mesa da Copa e ficaram os dois a conversar os mais diversos assuntos. Ele descobriu muitas coisas sobre ela: suas preferencias musicais, seu gosto por filmes. Ela descobriu sua paixão por futebol e por terminar a faculdade. Havia algo naquela noite quente de verão que fez com o papo rendesse e os dois ficassem ali como velhos amigos.

Ela perguntou se queria um licor ou uma velha pinga para terminar a refeição. Ele achou prudente recusar, mas novamente a mulher insistiu. Maldita pinga!!! No que ele bebeu, um calor subiu-lhe pela pernas e o membro enrijeceu de paixão pela mulher. Mercês notou certa eletricidade entre os dois e o um fogo que lhe subia por entre as pernas. Ele a pegou de jeito e lhe beijou esperando ser rejeitado. Não foi! Foi altamente correspondido. Mercês até tentou, mentalmente, fazer uma oração, mas foi inútil. Seu corpo não lhe correspondia.

E assim começaram os dois numa dança sensual em que as mãos dele percorriam o corpo dela tirando-lhe a roupa, buscando-lhe sugar os fartos seios, entreabrir as coxas grossas. Ela correspondia como ingênua amante, mas também procurava-lhe o membro, as costas, seu corpo. Como que por instinto seguiram para o quarto, aonde deram vazão a paixão que os consumia. Ele a deitou na cama e sugou-lhe novamente os seios, o ventre. Ela ajoelhou-se perante a ele como numa oração e sorveu seu néctar quente. Ele virou-lhe de costas e a possuiu de quatro como uma deusa adorando-a numa contemplação. Era uma amante ardorosa (das mais fogosas que ele já tinha tido). Ele estava perdido agora.

E no amanhecer os dois olharam-se e como se soubessem a resposta que tanto esperassem, voltaram a ser amar agora no chuveiro. Eles não tinham respostas para o que acabaram de viver. Mas sabiam que a hora era agora e o amanhã pertencia apenas a Deus...e de novenas, terços e rezas...ela tinha crédito, se tinha.




Postar um comentário