segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Ela - Carla Pepe


Ela 
By Carla Pepe

Um dia ela saiu determinada pela vida. Simplesmente parou de viver a margem de sua própria história, pronunciou-se de sua existência Senhora. Gerou inúmeras personagens para si mesma: Carla, Madonna, Aracy, Mercês, Geny. Cada qual com sua característica, desejo e vontade, no entanto todas elas protagonistas de uma única crônica: a sua.

Numa bela manhã ensolarada de verão, simplesmente ela mudou a roupa: alcinhas, decotinhos, sainhas, shortinhos, biquínis, lacinhos. O vermelho, o rosa,  o azul e o amarelo ganharam lugar no varal. Na gaveta, muitos tons e combinações. O corpo continua igual, o que mudou foi a atitude, a ousadia, os modos. Peito estufado, coxas grossas, cabeça empinada e nas mãos: um brinde. Cerveja, Prosecco, Coca-cola, ela é eclética, vale até água mineral.

E lá pela tarde ela quebrou a cara, fez boas tentativas, arriscou-se diante do inédito, do que nem ela acreditou ser possível. E assim, ela chorou. Chorou suas decepções, seus adiamentos, seus constrangimentos, até mesmo seus afetamentos. Mas aprendeu. Aprendeu a sempre tentar, a seguir, a se expor, a sentir, a tentar, a partir para mesma, para outra, para fora, para lida que a hora é agora. E ela vai embora seguindo o fluxo.

E chega a lua, a noite. Ela que é mulher intensamente apaixonada. Ah, paixão ela tem de sobra. Do ventre transborda cheia de ardência, de querência. É moça que sabe o que quer, como quer e onde quer. Ela descobriu sua potência, sua cadência, até mesmo sua inocência. Faz suas escolhas com consciência, a qual é fiel com malemolência. Não se importa com o que possam dela pensar, apenas sabe que quem está na chuva é para se molhar.

E o público que assiste a tudo meio abismado, sem saber se aplaude o espetáculo, das facetas da moça antes tão séria, se pergunta o que anda acontecendo. Cochicham entre si, aqui e ali, o que será que aconteceu a tal Carola. Ela explica que  a tal carola era apenas uma faceta da mulher que é agora.

E como todo espetáculo tem seu ápice, a morena de mil nomes, abre os braços, com breve medo e muita ousada, e se lança sem saber aonde. Sabe apenas que vai: chorar, errar, cair, mas também, levantar, aprender, sorrir, e o melhor de tudo, gargalhar porque aprendeu que a sua existência, só é possível, se for intensamente vivida.






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