segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Dany - Carla Pepe



Dany
By Carla Pepe

Ela parecia meio louca, meio menina, meio brava, meio sem definição. Gostava de brincar com a criançada do bairro. Sempre que ele a via, ela estava com a gurizada: carniça, pega-pega, pique-esconde, banho de mangueira no calor. Os adolescentes também a adoravam era uma boa companhia, curtia todo tipo de música e sua casa estava sempre aberta a eles. Afinal, tinha uma filha de 14 anos, conhecia bem seu universo. Ele assistia tudo de longe sem entender como era aquela mulher: professora séria, adolescente risonha, moleca criança, tantas mulheres em uma só. Era muita confusão pra cabeça quadrada dele.

Num canto da boca, ele dava sempre um meio sorriso com as bagunças que ela arrumava. Dany, isso lá era nome, mas era assim que ela se chamava. E nem como uma mulher de 40 ela se vestia. Quando não estava de roupas de trabalho, estava de short, camiseta, minissaia. E com o corpo volumoso, parecia que tudo chamava ainda mais a atenção. Se fosse magrinha, passaria despercebido, mas era farta a mulher: coxas, seios, bunda. Só de pensar, ele suava. Melhor era cuidar da sua loja e deixar a mulher sem definição para lá. Hoje ela resolvera ficar ali chupando picolé de blusinha decotada vermelha bem em frente a loja dele com a criançada. Afe Maria, a mente dele viajou no picolé, na blusinha decotada, nos seios dela, numa cama, ela nua. No entanto, ela nem sabia da existência dele.

Dany estava brincando com a criançada tentando esquecer a discussão da noite anterior. A vida, as vezes era dura demais, era preciso brincar para superar as adversidades. Ela já tinha notado os olhares do rapaz da loja e tinha um interesse nele. Seria bem bom voltar a ter alguém para as noites quentes.  Esse picolé com a blusa decotada na porta da loja tinha sido de propósito. Os homens eram tão bobos, ela riu por dentro. A vontade era entrar e chama-lo para uma cerveja no final do expediente, mas ele poderias se assustar diante da sua atitude ousada. Aff...era uma mulher que sabia exatamente o que queria. Não queria compromisso. Queria um homem para dividir umas noites de tesão.

Naquele dia, ela se meteu numa encrenca terrível e precisava de ajuda, entrou na loja dele esbaforida. Ele disse que no final do expediente passaria lá e a socorreria. Ele vai até lá, decidido a ser bem rápido. Ao chegar lá, ele presta o auxílio pedido, ela oferece uma água aromatizada e uma fatia de torta como forma de retribuição. Ele não consegue tirar os olhos das coxas grossas no shortinho e da blusinha de alça sem sutiã. Jesus! Ele queria era beija-la. Dany já estava perdendo a paciência com ele, porque ele não a beijava de uma vez, logo naquele dia que sua filha só voltaria no dia seguinte a tarde. Ela percebeu que ele não tirava os olhos do decote nem dos seus lábios. O que acontecia com ele? Talvez fosse sua atitude? Seu corpo volumoso? Bom, ele quem perderia. Ela se amava exatamente como era.

Na hora de ir embora, seus corpos se esbarram e Dany resolve ser mais do que ousada, afinal tinha pouca coisa a perder e diz para ele "eu preciso de outra ajuda". Ele pergunta qual. Ela diz "na minha boca, ela quer saber como é beijar a sua". Nem precisou de convite, ele a beija com sofreguidão e premência. E suas mãos percorrem o corpo dela com urgência. Ele pega seus seios com força e jeito e começa a despi-la. Ela também percorre o corpo dele com as mãos despindo-o com necessidade. E assim, numa louca dança, os dois vão percorrendo seus copos. De joelhos, ela o suga vagarosamente levando-o ao paraíso e quase ao gozo. Mas era cedo demais. Ele a queria a noite toda e nem sabia explicar porque. Ele a deita na cama e a percorre como se adora uma deusa do amor e da paixão. E a beija demoradamente em cada pedaço do seu corpo. Ele a coloca de quatro, beija sua nuca, como nunca dança de amantes que já se conhecem há décadas, a penetra com gentileza e vontade. A vontade de que aquele momento virasse eterno.

A noite é dos amantes loucos e sôfregos. Eles dormem exaustos. Quando ele acorda, ela não está mais na cama. E ele não sabe o que fazer. Ela aparece de roupão, linda, fresca, grande, sorriso no rosto, olhar sensual. Bom...acho que o fazer era deitar com aquela mulher e começar aquela dança toda de novo enquanto fosse possível. Depois, ele pensaria...mas só depois.









Postar um comentário