sábado, 12 de setembro de 2015

Um café duplo, por favor - Parte 2 - E agora? By Carla Pepe

Um café duplo, por favor - Parte 2 - E agora? 
By Carla Pepe 


Ela imediatamente respondeu: "já estamos fechados. Não temos mais café. As máquinas estão desligadas." Mas a mão dele não saia de cima da sua. E os olhos não saiam de cima dos seus. E como se tivessem magnetizados se beijaram. E foi o melhor beijo da vida de Liz. Um beijo, dois, três, dez beijos. As mãos de João percorreram seu corpo como numa urgência de conhecer melhor aquele universo tão observado. E ali eles ficaram perdidos no meio da noite sem entender o que acontecia. E sem muita compreensão, estavam indo para o apartamento dela. E lá ficaram a noite toda, loucos um pelo outro, eram dois corpos e ao mesmo tempo um. Foram tantas curvas, gestos, posições e prazeres. Tanta juventude e gozo que ela nem entendeu quando acordou de manhã e o encontrou dormindo ao seu lado. As roupas espalhadas pela casa. Sua cabeça confusa pela cerveja consumida e pela paixão que a embriagara. E agora? O que fazia?

João acordara desnorteado também tentando decifrar o que tinha acontecido na noite anterior. Nem sabia porque tinha voltado ao café. No meio do caminho quase desistira, mas finalmente resolvera ir até lá. E agora lembrava da noite com a moça da cafeteria, Liz. Que noite impressionante!!! Nem ele esperava aquela noite. Tanta paixão, tanta entrega. A noite toda de paixão pela casa. Que mulher era aquela. Mesmo as mulheres mais abertas com quem tinha estado, não o tinham preparado para aquela noite. Só de pensar já sentia o sangue ferver novamente. O olhar procurava a moça e não a encontrava. O quarto estava vazio. E agora? O que aconteceria?

Os dois se encontraram na sala com um olhar meio sem ter o que dizer. Começaram uma conversa meio sem querer e quando viram estavam novamente se beijando intensamente. Alguma coisa naquele universo particular os magnetizava, os atraía, os puxava um para o outro. Dessa vez, Liz resolveu quebrar o clima quente e disse: "precisamos sair...tenho que abrir a cafeteria." João ficou ali parado sem entender o que aconteceu e saiu do apartamento. Seguiram andando lado a lado em direção a loja sem saber qual seria o próximo passo.

E assim, quase em querer, acabaram por estabelecer uma rotina: duas ou três vezes por semana, na hora de fechar, João aparecia. Ela fechava o café e eles caminhavam lado a lado, as mãos se tocando como se não pudessem ficar longe uma da outra. Os corpos iam se aproximando como se só fosse possível existir um junto ao outro. O apartamento dela virou uma alcova dos amantes, um refugio, onde eles desfrutavam da companhia dos seus corpos, de boa comida, boa cerveja, boa música. Dançavam todos os ritmos numa entrega total à paixão que os consumia sem pensar nas distâncias que os separava.

Naquele dia, depois que João foi embora, Liz ficou pensativa. Demorou a sair para a loja. Estava preocupada com o rumo das coisas. Já estavam assim há dois meses e João vinha querendo mais. Vinha insinuando mais dias, mais horas. Quem sabe passar juntos um final de semana. Gostava do tempo que passavam juntos e só. Como conversar isso com o rapaz sem que o perdesse? O que faria?  Tantas interrogações e nenhuma certeza. Liz estava descobrindo que a vida tinha mais perguntas que respostas. E ela não sabia o que fazer. E agora? 


Postar um comentário