terça-feira, 22 de setembro de 2015

Um café duplo, por favor - Final - Entre a cama e o café By Carla Pepe

Um café duplo, por favor - Final - Entre a cama e o café 
By Carla Pepe 


João estava numa encruzilhada de sentimentos: queria ficar com Liz, mas não daquele jeito fugaz. Queria compromisso, algo  mais. Mas toda vez que ele tentava falar no assunto ela desconversava como se soubesse que a hora derradeira estava próxima. As noites entre eles continuavam ardentes. Ele sentia que, ultimamente, mais ardente do que antes, porque ela andava mais aberta, solta, por vezes tomando a iniciativa. Ela o deixava louco: boca, mãos, pernas, coxas, seios. Como ele amava se perder naquele corpo tão sensual. Ele nunca tinha sentido algo assim antes, tanta paixão, tanto prazer. Por isso, estava ali refém dos seus sentimentos olhando-a dormindo na cama. 

O dia amanheceu e Liz sentia uma preguiça em levantar, queria ficar um pouco mais na cama. Pensar mais, aproveitar aquele momento só seu. Naquela noite, João não havia ficado. Eles tinham se desentendido novamente. Ele queria sair para jantar fora e depois ir ao cinema. Ela preferia ficar em casa e curtir aquele momento só deles. Na verdade, ela sabia que preferia mesmo era ir para cama com ele e perder-se no seu corpo, como era maravilhoso experimentar a entrega com ele.  Com ele, tinha descoberto seu corpo, como era sexy, como gostava de experimentar coisas novas na cama e fora dela. Ele a fazia esquecer de tudo. Hoje ela se sentia mais segura, mais firme, mais capaz, mais certa do que desejava. Ela queria erotismo, lascívia, não tinha mais paciência para os filmes melosos de amor. Ela queria a cama e ele o café.   

Mais uma noite e eles brigaram novamente. Nos últimos tempos, tudo que faziam era brigar e fazer as pazes. O momento de construir a paz era único entre eles. Seus corpos já conheciam o caminho do prazer e da paixão que proporcionavam um ao outro. Mas ambos sabiam que aqueles encontros ardentes não eram mais suficientes.  Eles estavam apenas adiando o enfrentamento da questão inabalável: continuariam apenas na cama? Ou embarcariam numa expansão para além? 

Finalmente, o dia tão adiado chegou, eles tinham transado a noite toda como se ensaiassem o duelo. Foi uma noite sem pressa, sem palavras, sem desculpas. Tudo que foi possível fazer foi feito. Tudo o que o desejo pediu, eles cederam. Mas a noite não dá trégua e o dia chega e com ele a realidade. O erotismo não era mais suficiente para ele, afinal ele sabia que aquilo havia de acabar. Ela queria a liberdade de ser, de agir, de não pensar, de não se comprometer. Como eles ficavam? Como acomodar duas concepções tão distintas? Sua decisão estava tomada. A luta havia chegado ao fim. A despedida precisava ser breve e terna. 

Mais um dia no café, Liz abriu a loja, naquele dia com um sorriso diferente, um batom rosa, um vestido decotado e bem colorido. Seus cabelos pareciam esvoaçantes e brilhantes. Os clientes costumeiros notaram que ela estava resplandescente. Alguns chegaram a pensar como seria aquela mulher no quarto. Outros a elogiavam dizendo o quanto estava bonita mesmo sem saber o que fazia dela uma linda mulher. Mas, em seu interior, ela sabia exatamente o que era. Era dona de si, livre em seu pensar, em seu agir. Era senhora de suas escolhas, do seu próprio mundo, de sua vida, de seu prazer. Era, simplesmente, feliz...









Postar um comentário