sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Gracinha - Carla Pepe

Gracinha
By Carla Pepe

Gracinha era uma mulher cheia de graciosidade, não dessas cheias de frescura ou de mimos. Era dessas moças cheias de educação e bondade, que ajuda os idosos, brinca com as crianças, ajuda os adolescentes. Também sabia ser grossa e brava quando precisava ser. Era direta na vida e na alma. Ela não tinha consciência de sua beleza, talvez por fosse daquelas mulheres cuja formosura esteja na inteligência, na simetria, na grandiosidade do seu corpo e do seu coração.

Era uma mulher volumosa, de seios fartos, coxas grossas, bunda grande. Tudo naquela mulher abundava. As pessoas a adoravam. Era uma mulher feliz por si só. Estava sempre de bem com a vida, o que a cansava eram as injustiças, as incertezas, o medo da violência. Mas de resto, encarava com bom humor e alegria, nada durava mais do que uma noite em seu coração.

Naquela noite voltava da reunião do trabalho muito tarde, quando sentiu que estava sendo seguida, apressou o passo, e quem quer que estivesse atrás também apressou. Ela começou a tremer, o coração acelerou, não sabia o que fazer. De repente, uma mão a segura forte, ela dá um grito alto, mas logo reconhece seu vizinho, que esbraveja ,"você não deveria andar sozinha pela rua a essa hora". Ela retruca imediatamente: "E você não deveria seguir as pessoas sorrateiramente. Quase me matou do coração." Ele pergunta se pode ir caminhando ao seu lado até em casa. E vão os dois conversando.

Ela observa ele demoradamente pela primeira vez. Era bonito, dessas belezas brutas, mãos grossas, corpo de homem. Não era desses homens sarados, preferia os imperfeitos. Gostava mesmo das mãos, das mentes, do cheiro. Ele tinha todos os requisitos. Que vontade de sentir o gosto da boca daquele homem. Até aquele dia não tinha reparado na sua presença. Mas agora, ela sentia um calor subir do ventre, uma vontade louca de beijar-lhe a boca, percorrer com suas mãos seu corpo. Era uma mulher quieta, mas tinha suas vontades. E aquele homem inspirava-lhe todas.

Ele era vizinho dela há uns 5 anos e sempre deu uma admirada nela. No entanto, essa noite, pintou algo entre os dois. Ele sentia a tensão, um querer por aquela mulher, beijar sua boca, passa a mão pelos seus seios, suas coxas, sua bunda. De repente, sem que ele se desse conta, ela olha para ele com a boca pintada de roxo e diz "será que posso beijar tua boca? me deu uma vontade de fazer isso agora." Ele fica mudo, sem ação ou qualquer reação. E antes que ele respondesse, ela tasca-lhe um beijo na boca e ele, é claro, corresponde.

Eles ficam ali no meio da rua na maior pegação. As mãos de ambos percorriam os corpos ardendo de desejo. Até que ela desceu pelo seu corpo e, no canto escuro da rua, ela sugou-lhe o conteúdo quente. Ele foi a lua, nunca tinha estado com uma mulher daquelas. Gracinha, mil vezes graciosa. E ele também deu-lhe prazer que ela não tinha imaginado. E assim ficaram os dois perdidos numa noite para lá de quente. Ele queria estender o encontro para ficar com ela até de manhã. Porém, Gracinha, firme, disse para ele "querido não faltarão oportunidades de estarmos juntos. Hoje estou cansada. Quero ir para casa, tomar uma cerveja e deitar. Mas amanhã, se você quiser, bebemos uma gelada juntos na minha casa, que tal?"

E lá foi subindo Gracinha, graciosa, mulher decidida, ousada, direta, entendida, firme naquilo que queria.







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