segunda-feira, 25 de abril de 2016

Bela, recatada e do Lar - Carla Pepe

Bela, recatada e do Lar
By Carla Pepe
‪#‎Carla440‬
Naquele dia ela foi para rua, minissaia, calcinha fio dental, sutiã meia taça, jeito sensual. Seu corpo era cheio de curvas, fora dos padrões, mas ela era decidida, jeito de doida varrida. Tinha sempre sorriso no rosto, olha franco e generosidade para com os outros.
Durante muito tempo, tinha sido o que quiseram que ela fosse: séria, conservadora, julgadora. De repente, como se por encanto, descobriu sua real opinião das coisas. Estudou, leu, teorizou, praticou, se inteirou, gozou.
Cansou de ser infeliz buscando um padrão que não era o seu. Cansou de tentar encaixar sua bunda numa bunda que não era sua, peitos que não eram seus. Hoje deleitava-se em se ver nua no espelho. Era bela aos seus olhos.
Não queria recato. Queria amasso. Queria sanhaço. Queria um abraço do rapaz que tanto admirava. O recato? Esse ela deixava para os momentos de tristeza e choro contido, pois esses eram apenas para si.
Era moça do lar, pois amava seu canto, seu recanto, seu coração. Sua casa, suas cores, suas dores eram construídas cada qual a seu jeito. Era moça do lar: guerreira, mãe, mulher, puta, carente, independente, sobrevivente. Mulher brasileira que, na vida, quer apenas ser só um pouco feliz.
E na aurora daquele dia, sob as flores de muitas Marias, aquela mulher-moça-menina descobriu que podia ser o que ela quisesse: dona de casa, mãe, solteira, vadia, senhora, casada, descrente ou crente, menina, semente. Enfim, o mais importante era que ninguém lhe dissesse que era só coisa sorte ou de morte não ser boa atriz.
E a noite, depois de gozar, a moça sorriu, pois ela descobriu que a felicidade na vida é ser aprendiz.


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