domingo, 30 de agosto de 2015

Contos de uma cidade pequena - O Final - Le sexe de deux By Carla Pepe

Contos de uma cidade pequena - O Final - Le sexe de deux
By Carla Pepe


E lá foi ele de novo, beber sua velha companheira, a cachaça. A sua vida de antes era tão simples e agora andava tão complicada. Suas noites andavam de tirar o folego com essas duas mulheres.  Nem seu sítio andava tendo tanta atenção como antes. Laurinda e Clotilde andavam lhe sugando cada gota de energia e ele não sabia mais o que fazer. Eram tão diferentes. Clotilde tinha a beleza da juventude, do corpo do esguio e firme. Quando ele a via, ela parecia saída das telas da televisão dos filmes mais noturnos. No entanto, parecia tudo treinado: o tirar do sutiã, o afastar dos cabelos, o descer do vestido. Com Clotilde parecia que eles participavam de uma dança ensaiada para alguém avaliar.  Ele sabia que ela esperava compromisso e casamento. E não sabia o que fazer. 

Já as noites com Laurinda, essas eram de fogo e paixão, com espontaneidade e muita imprevisibilidade. Mulher quente era aquela. E o que lhe faltava em beleza e juventude, sobrava-lhe em corpo e volúpia: seios, coxas, pernas, costas e ventre. Era uma dança espontanea que misturava o samba, o choro e um certo toque de jazz. E sempre depois exaustos, lá eles ficavam a conversar sobre tudo. Mas antes do amanhecer ela lhe expulsava de sua cama, logo dando a entender que não queria contrato. Queria aqueles encontros vadios e escondidos. E ele ainda desconfiava que danada sabia de Clotilde. Mulheres!!! Marivando estava chegando a conclusão que a cachaça era sua melhor companheira. 

Enquanto isso, noutro canto da cidade, Clotilde estava olhando as revistas de noiva pensando em como apressar as coisas com Marivando. Precisava logo começar a planejar o casamento, se quisesse que a cerimonia acontecesse no mês das noivas. Faltava muito pouco. O tempo corria contra ela. As coisas entre eles iam bem. Umas duas noites por semana eles saiam e ficavam a sós. O cabra era bom, ás vezes queria ser mais selvagem,  mas ela preferia tudo mais arranjado, numa certa ordem. Afinal, eram pessoas civilizadas e ele não precisava lhe borrar a maquiagem para fazerem sexo. Ela gostava dele, mas ele precisava de umas aparadas. Mas depois que casassem ela resolveria isso. Por enquanto, ela daria um jeito de tornar as coisas quentes e colocar o vaqueiro na parede.  E jogar a professora encalhada para escanteio, afinal ela nunca tive qualquer chance, diante da sua beleza. 

Já na casa da professora de literatura, Laurinda, pensava nas escolhas que fizera. Sabia que Marivando anda irritado por ela não querer compromisso e também que ele andava saindo com Clotilde. Os comentarios na cidade era de que logo os dois estariam se casando.  Mas ela não poderia ficar refém desse sentimento louco que sentia por Marivando. Gostava muito de si mesma para se perder nele. Gostava de sua rotina, de sua liberdade, da vida que construíra. Se pudesse ficaria com as duas coisas: solteira, mas com as noites de paixão entregues ao vaqueiro.  Os dois eram uma combinação explosiva: sem previsões, sem planejamentos, somente os dois e nada mais. Com ele, ela experimentava novas coisas, novas posições.  Quando eles estavam juntos, o tempo parecia parar, havia somente seus corpos nus, a casa, seus comodos. Com ele, ela sentia que podia ser ela mesma e deixar-se levar pela lúxuria sem julgamentos. Mas e agora? O que ela deveria fazer? Bom, resolvera deixar para pensar nisso amanhã, quando o futuro chegasse. 

E entre goles de cachaça e noites de paixão de Marivando, Clotilde e Laurinda, o tempo foi passando. E Marivando pressionado a uma decisão: casava com Clotilde e perdia Laurinda ou ficava com Laurinda sem compromisso e perdia a jopvem loira. Situação difícil a que ele se encontrava. Clotilde lhe dera um ultimato e agora não adiantava mais adiar a resposta. E lá foi ele cabisbaixo, entrando na birosca pediu a pinga, a melhor da casa, bebeu de um gole só, sentindo queimar tudo por dentro. 

Marivando foi, então, caminhando firme e decidido com a sua melhor roupa, bota nova, chapéu e sua nova água de cheiro. No caminho resolveu comprar umas flores do campo para ajudar na composição do visual. Sabia que não tinha certeza do caminho que escolhera. Sempre fora um homem de rotinas, de dias certos, de fome certa, de cachaça certa. Sabia que casar seria a escolha certa naquela altura de sua vida. Alguém para cuidar da casa, das suas roupas, de sua comida. Alguém com quem dividir as noites. Mas de tanto pensar percebeu que nada disso importava quando esse alguém não era o certo para ele. De que adiantava estar com a pessoa errada pelas razões certas?  E lá foi ele rumo a pessoa certa, mas cujo futuro, parecia-lhe incerto.  E naquela noite, os dois amantes, numa explosão de sensualidade e prazer ficaram juntos até o amanhecer...Laurinda e Marivando... descobriram-se parceiros certos de um futuro...bom o futuro...a Deus pertence. 







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