domingo, 4 de janeiro de 2015

Metáfora do amor


Esses dias ela andou pensando no amor. Pensando em todo seu infinito. Por um tempo ela tentou se proteger do amor. Tentou não se envolver. Não quis criar intimidade, ouvir historias e partilhar sonhos. Por um tempo, ela também não quis sonhar. Preferiu seguir como um corpo morto num  mundo de vivos. Viu o mundo preto e branco com variações de cinza. E seguia sem ouvir os sons confusos do trânsito, dos pássaros, dos edifícios, das pessoas falando ao mesmo tempo. Ela escolheu não amar. Acordava, bebia, comia, andava e dormia como um zumbi dos filmes de terror.

Um dia, o amor cruzou seu caminho e não lhe deu muito tempo para pensar. Invadiu, quase como um ato de respirar, numa escolha de segundos, ela se viu amando. De repente, percebeu que o vermelho tinha muitas tonalidades, que o amarelo era muito vibrante e que as vezes gostava de observar o azul do mar. Ela começou a ouvir as pessoas falando entre si, todas ao mesmo tempo. A escutar o lamento da menina desiludida com o namorado-bonito-galinha-safado. A observar o casamento a beira do mar e a felicidade dos noivos e seus convidados. Ela começou a sonhar. Muitos e muitos sonhos. Sonhos de algodão doce e pirulito. Sonhos de beijos molhados. Ela foi mergulhar no mar, ver as nuvens, ouvir a risada das crianças. Teve recordações e começou a lembrar de quando nasceu. De todo amor que a envolvia. Do olhar da mãe, daquela sensação de proteção. Da família reunida. Da avó lhe dando banho. Ela lembrou do amor que  a rodeava.

E aí no mesmo lampejo que veio o amor, ela também sentiu dor. No meio das recordações, veio também o sentimento de abandono, de tristeza, de rancor, de morte. E ai o que fazer? Seu coração apertou e ela sentiu uma dor tão intensa que achou que fosse morrer. Os pássaros pararam de cantar, as crianças ficaram mudas. O mundo ao seu redor pareceu parar por segundos. E ela ficou ali com a sua dor. Tentando entender o porquê. E foi ali, na imensidão da vida, que ela chorou. E suas lagrimas foram escorrendo pela sua face por um tempo que pareceu eterno e sem luz.

E foi então que ela viu estrelas. Estrelas brilhando como nunca no céu imenso. E percebeu que não estava só em seu lamento. Ela sentiu sua mão; a mão Daquele é Amor secar suas lagrimas.  Abraçar-te forte.  E ali, no infinito do céu e das estrelas, no infinito do abraço,  ela talvez tenha entendido o proposito da vida: vivemos para amar e, amar implica em sofrer...O que fazer diante de tão difícil dilema? ela pensou. Que caminho seguir? Ela olhava para Sua face em busca da resposta e, de repente, em seu próprio coração, ela encontrou. Ela ouviu um som límpido e alegre. Ela viu a cor do sol e do céu. E descobriu que já tinha a resposta: para sentir o cheiro das rosas teria que também, por vezes, sentir a dor dos espinhos. E seguiu.
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