sábado, 19 de julho de 2014

Quem vem pelo caminho

E de repente eu a encontrei pelo caminho, algo nela estava diferente. Não sei dizer ao certo o que seria. Seriam os cabelos curtos agora cheios de raios de sol? Seriam seus olhos triste ou meio nostálgicos? Ela caminhava devagar, como se descobrisse aquele caminho pela primeira vez. Eu não entendi. Afinal, era um caminho muito conhecido, cheio de pedras, de espinhos, pelos cantos um pouco de lama. De vez em quando, ela descobria flores pelo caminho e sorria. E eu ali a observando...Havia algo nela que me era familiar. Não sei se os sofrimentos que via em sua vida. Se suas vitorias. Não sei se eram as suas saudades. Saudades das pessoas que estavam bem mais na frente da estrada. Havia algo que me intrigava nela. Talvez fosse o perdão que eu enxergava em suas costas. Ou mesmo o imenso amor em seu peito. Ela parecia mais leve, mais jovem. Ela tinha um cheiro diferente...um misto de orvalho com jasmim e também leve gosto salgado de lágrima. Mas ela era uma pessoa feliz. Não aquelas felicidades idealizadas, românticas dos filmes água com açúcar. Era uma felicidade real, concreta, ate meio debochada, meio irônica. Eu fiquei ali tão distraída tentando saber por que caminhos ela tinha andado. Com quem ela havia encontrado. Como ela tinha se perdido e se achado. E ali sentei um pouco para recuperar o fôlego, e chorei. Choro de saudade, de tristeza, de alegria. Choro real e não amargo. Choro de gente que ri, que sofre, que sente. E entao respirei, ergui o olhar e procurei...e finalmente a encontrei...ali no espelho refletido...aquela que eu tanto estranhei, que eu tanto busquei...enfim era eu....
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