terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Eu sou - Carla Pepe

Eu sou os brinquedos que brinquei, o vestibular que passei, os segredos que guardei, a praia preferida: Arpoador, Prainha, Pontal. Sou o amor que vivo, a conversa séria. Eu sou aquilo que eu lembro.
Sou a saudade da minha mãe, o abandono do meu pai, a infância dificil, a dor daquilo que não deu certo, as marcas daquilo que ficou. Eu sou aquilo que engoli e me calei, aquilo que falei, as decepções que sofri, cada lágrima que deixei cair. Eu sou o que eu choro.

Eu sou o abraço eterno na minha mãe, o beijo da minha irmã, o pulo do sobrinho, a força dada aos melhores amigos, o ouvido que está sempre disponível. Eu sou o braço no qual as pessoas se apoiam, a sensibilidade que grita, o carinho que troca, as palavras ditas. Eu sou os pedaços que consigo juntar, os beijos que eu pude dar, a gargalhada que não deixei calar. Eu sou aquilo que me deixa nua.

Eu sou a raiva: a raiva de não ter alcançado, de não conseguir mudar, de sofrer, de tanto pena. Eu sou desprezo por aqueles que mentem pra mim. Eu sou aquela que rema sem jamais desistir, que teima em simplesmente existir. Eu sou a indignação pela fome, pela miséria, pela humilhação. Eu sou aquilo que me revolta.

Eu sou o que eu reivindico. Eu sou os meus sonhos: de cantar, de gerar vida, de mudar, de tocar, de falar de Deus. Eu sou sopro, sombra, ar, vento, direção. Eu sou a estrada que sempre corre atrás do projeto, do sonho, do plano. Eu sou complexa obra de Deus e simples criatura do mundo. Eu sou aquilo que você vê. Eu sou aquilo que eu preciso, que eu rabisco, que eu traço. Eu sou minhas escolhas, meu proprio espelho, meu itinerário. Meu fim e meu começo.
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