domingo, 12 de agosto de 2007

Eu quero um amor de verdade - prefacio Pe Fabio de Melo

“QUERO UM AMOR DE VERDADE” escrito pelo meu querido amigo, padre Fábio de Melo.
COM VOCÊS… padre Fábio:
O amor é um atributo humano que nos antecipa no tempo aquilo que já é eterno. Antecipar o céu, por meio de nossa capacidade de amar, é um jeito bonito que temos de recolher na carne de nossa humanidade o que Deus fez questão de esquecer entre nós.
Santo Agostinho nos dizia com sabedoria que Deus nos amou para que tivéssemos amor com que amar. O amor humano, ainda que marcado pelos limites de nossa condição adâmica, pode ser lugar da manifestação de Deus na história. O nosso amor humano é epifânico; é sarça que arde sem se consumir, porque a energia que produz o fogo não vem de nós. Deus está na fonte de todo amor.
Camões poetizou bem ao dizer que é fogo que arde sem se ver. Gabriel Marcel intuiu maravilhosamente ao filosofar, que só o amor é capaz de nos resgatar da morte. Adélia Prado, maternalmente nos revela, que tudo aquilo que a memória amou já ficou eterno…
Os poetas sabem das coisas, e Diego Fernandes é um menino poeta. Descobriu o gosto de brincar com as palavras e delas extrair verdades consistentes. Mas ele escreve com leveza, porque tem o dom de colocar um sorriso na frase que repreende. Esse é o dom de evangelizar pela força da ternura.
Ele anda se desdobrando na bem-aventurança de rabiscar o mundo com palavras evangélicas, que soam em nossos ouvidos de forma tão atual. Diego aceitou o desafio de expor as possibilidades e as precariedades do amor. Ousou demonstrar que o amor, essa faca de dois gumes, pode fazer crescer, como pode machucar. Volto a dizer. Amor é atributo humano e divino ao mesmo tempo. O que é divino já é puro por natureza, mas por também ser humano, carece de passar pelo crivo da purificação, para que volte a ser imaculado.
Diego resolveu expor seu coração. Não é possível falar de amor sem antes passar pela experiência de ter essa adaga cortando-lhe a alma. Só as almas cortadas pela lâmina do amor poderão viver a cicatriz que nos identifica como amantes da vida.
Este livro é feito para quem já sabe tudo isso, mas é também para quem ainda não aprendeu. Para quem sabe, porque é sempre bom saber de novo. E para quem ainda não aprendeu, porque é sempre bom encontrar a novidade, e com ela aprender.
Que seja assim. Que na linguagem deste menino, que tem sotaque do sul do país, nós possamos redescobrir a graça de nortear nossos amores, desafiar nossos temores, e seguir pela vida, amando, morrendo e ressuscitando.
Ninguém ama sem morrer um pouco, mas ninguém é amado sem ressuscitar também. Por isso precisamos dos dois movimentos do amor. Na morte, o empenho que nos prepara como humanos. Na ressurreição, a delícia de já poder sentir na carne o surpreendente sabor daquilo que já é eterno.Só o amor pode nos movimentar para a eternidade. Que essas palavras tão cheias de sabedoria sejam um remanso a nos conduzir.
Com carinho, benção e desejo de alegrias,padre Fábio de Melo
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