quarta-feira, 7 de maio de 2008

Sou apenas uma mulher (Carla Pepe)

 
Tenho feito um mergulho diário pelo mar que é a minha existência. Venho descobrindo que sou imperfeita sim, com muito prazer. Sou uma criatura criada por Deus, imperfeita, mas que faz tudo que precisa ser feito, que busca ser irmã, amiga, amante, mulher, profissional. Não sou a Brahma, mas sou boa. Trabalho todos os dias, defendo minhas causas, falo, grito, saio com minhas amigas, telefono para minha irmã todos os dias, nado com meus sobrinhos. Vou ao cinema, beijo na boca, pago as contas, corro na esteira, nado na piscina. Viajo a trabalho e por lazer. Gosto de conhecer pessoas, de falar com elas, de escuta-las. Não tenho a pretensão de ser a mulher maravilha, até já achei que era, mas não sou, ufa ainda bem.

Sou apenas uma mulher, graças a Deus. Uma Carla que quer uma vida interessante, uma vida de papo furado, de achar que o dinheiro não é mais importante que minha família e meus amigos. Não quero ser indispensável a ninguém. Quero ser reciclável, peça pronta para ser substituída. Mas quero ser única no sabor com que experimento a vida. Quero poder não fazer nada, cantar sozinha em casa, andar pela rua falando sozinha, sumir de tarde para fazer amor. Quero ganhar uma massagem de surpresa. Quero receber aquela minha amiga que não vejo há tempos. Quero escutar aquela com quem nadei de manhã. Quero ser melhor amiga da minha irmã e poder deitar no seu ombro e chorar minhas saudades, minhas dores. Quero ser a melhor mãe possível da minha filha. Quero escrever um livro, fazer uma tese, escrever uma música de amor. Quero cantar uma nova canção e tocar um coração. Quero me encontrar com pessoas, com amores, com sabores. E para aqueles que caminham na vida comigo vida,  peço: respeite o mosaico que sou e tenham a ousadia de mergulhar comigo na aventura que é a vida.



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